sexta-feira, 27 de julho de 2018






"-Para você corsets são artigos de luxo ou lixo!?"

Para uma peça ser um artigo de luxo, como as bolsas e outros produtos da Louis Vuitton levasse um tempo, primeiro é necessário se apresentar para o mercado, isto é, se tornando conhecida, apostar em produtos que façam a cabeça do público alvo, investir em estratégia de marketing e propaganda, aceitar as derrotas e seguir em frente, pois tem produtos que não surtem o efeito desejado.

Bom, na corseteria não é nada diferente, sempre teve corsetmakers no Brasil, mas o boom rolou mesmo por volta de 2004, quando começaram a surgir marcas cheias de personalidade e voltadas para um público mais jovens.

Por volta de 2008 e 2009 a corseteria, creio que mundial, sofreu um grande impacto com as chegada dos corselets chineses, pois muitas pessoas acreditavam que era possível praticar Tight Lacing com corselets fracos e sem modelagem e muitas outras compravam a rodo achando que vincaria a cintura, por alguns anos esse foi o pesadelo de todas as corsetières do Brasil, muitas pessoas pediam para que ajustássemos os corselets chineses que haviam comprado, e todas as marcas se posicionaram contra isso e com razão, por que se temos um ateliê "especializado em corsets sob medida", não somos obrigados a ajustar peças chinesas ou de origem desconhecidas.

Ok, mas o que torna um corset uma peça de luxo!?

Primeiramente seu valor histórico, que tem um peso grande na corseteria, muitas das nossas avós e bisavós usavam e até confeccionavam seus próprios stays ou corsets.

Em segundo lugar é que a maioria das corsetmakers no início não fizeram cursos (eu me incluo nisso), pois não havia cursos no Brasil, praticamente todas são autodidatas.

Eu fui abençoada em me formar em Design de Moda em 2006, pude aprender Modelagem Plana e Moulage na faculdade, que me ajudaram e ajudam muito nas minhas criações, alguns dos moldes que uso são de criação minha.

Outros fatores é o desenvolvimento de cada marca, todos os valores agregados, como é fabricado o produto, se as matérias primas são de primeira qualidade, se o produto é 100% artesanal, qual é o nível de conhecimento da corsetière a respeito do que faz, como ela se porta perante seus clientes entre outros.

Corsets se tornam peças de luxo quando o preço não importa, mas sim todo seu valor histórico, artesanal e da matéria prima de ótima qualidade.

E o que pode vir a tornar corsets como lixo!?
A concorrência desleal, sem sombra de dúvidas, que está interessada em preços mínimos e outros mimos, como frete grátis e outros brindes.


O apelo da própria nova e média concorrência (não todas, é claro) por um espaço no mercado, porém sem preparo algum, tanto a nível empresarial, ético e administrativo.

Outros fatores como péssima modelagem, falta de estudo e pesquisas e também acabamentos que deixam a desejar, somado a matéria prima de baixíssima qualidade, transformam o mercado da corseteria no lixo.

Volta e meia, eu e minhas colegas corsetières, com o mesmo tempo de estrada,recebemos clientes em nossos ateliês completamente insatisfeitas com corsets que compraram por menos de R$ 300, algumas relatam que com pouco tempo de uso as barbatanas escaparam e entraram em sua pele como uma lança, pois as barbatanas flat não tinham o acabamento necessário que são o arredondamento, depois a aplicação de terminais na ponta ou a cobertura com epóxi (como os Busks), outras relataram que a peça havia descosturado inteira, ou que a peça está repuxada e enrugada.

Outro fato notório a muitos olhos é o busk torto na maioria dos corsets de algumas marcas (de fato são poucas), mas fica o alerta para você que compra por conta do preço e não do valor agregado.


Esse incidente do busk torto aconteceu com minha marca também e hoje não ocorre mais pelo simples fato de que devemos cortar TUDO no sentido do fio do tecido principal, entretela e forro e os acabamentos DEVEM ser cortados no viés ou devem ter piques internos para não repuxar.

No início da U Fashion passei por vários problemas, não vou mentir, vou postar abaixo algumas fotos para vocês entenderem...





Como vocês podem notar o início também foi bem sofrível para mim, eu olho para essas fotos e não consigo acreditar que entreguei para algumas clientes os corsets da esquerda das duas últimas fotos.

Eu passei anos não aceitando críticas e batendo de frente como pessoas que na verdade queriam me ajudar e não me prejudicar.

Eu me sentia péssima quando via corsets de outras corsetmakers perfeitinhos, com acabamentos lindos e os meus todos enrugados, com busk torto, outros fechos quebrados, e foi ai que comecei a ouvi-las, também dei atenção ao feedback de várias clientes e aos poucos fui alterando tudo, desde matéria prima, modelagem e confecção de todos.

Se você acompanha a evolução de uma marca e vê que ela está disposta a crescer cada vez mais, saiba que o que essa marca produz é luxo e não lixo,


Pode ser forte chamar corsets de lixo, mas quando uma cliente me envia um áudio chorando por ter comprado um corset barato e ele estar todo torto e com as barbatanas pulando pra fora, não vejo como chamar de outra forma a não ser lixo.

Eu gostaria, que assim como eu, que parei de ser vítima ou de receber toda a crítica como ofensa, que todas pudessem amadurecer e tratar esse mercado da corseteria com mais paixão. 

Analisem as críticas antes de achar que tudo o que te falam é destrutivo ou de pensar que todos estão querendo te prejudicar, o mercado da corseteria é grande e o sol brilha para todas!!

Uma moça falou num dos grupos uma vez que as corsetmakers veteranas super faturam os preços dos corsets, pois existem ótimos corsets super baratos no mercado que dão conta do recado!!



Se isso fosse uma verdade incontestável ninguém estaria insatisfeito com o que recebeu em suas casas e muito menos nos procurando para fazer um novo corset e ainda por cima SEM chorar desconto e pagando à vista e esperando numa boa pelo prazo de entrega do ateliê.

Todas as corsetières mais velhas tem contas a pagar, quando não aluguel e condomínio, tem outras como luz, água, telefone, internet, combustível ou vale transporte que é o que chamamos de custos fixos.

E também tem os custos variáveis de matéria prima brasileira e importada, frete nacional e internacional, assistência técnica, manutenção, entre outros....

Isso tudo é aplicado nos produtos somado a mão de obra de cada costureira ou corsetmaker do ateliê.

Quando somos sustentados pelos país, namorado ou marido que pagam todas essas e outras contas, fica fácil manter o preço mínimo de um produto.

Quando temos que assumir tudo custos fixos, variáveis e mão de obra somado a toooodo valor agregado que foi falado lá em cima, não tem como pedir R$ 300 mais frete grátis para uma peça de luxo, pensem nisso quando acharem que super faturamos nossos corsets!!

Penso que se uma marca está há anos no mercado e simplesmente focada em um único produto e não melhorou nos aspectos: modelagem, acabamento, matéria prima e ainda possui uma postura extremamente antiética perante outras marcas e com quem discorda dela, realmente deve ser observada por todos, pois é exatamente esse tipo de "profissional que polui o mercado da corseteria brasileira e a transforma num lixo tremendo.
O vinco dramático não quer dizer que o corset seja de qualidade.
Cada corset é confeccionado de acordo com as medidas de cada cliente e possui redução na modelagem própria para seu tipo físico.

Colocar 20/25 cm de redução no corset de uma cliente magrérrima pode colocar sua saúde em risco, causar lesões severas em seus ossos e orgãos internos.
Nunca se esqueçam que o barato sai caro!!





O barato perverte o mercado, e quem vende a preço mínimo não está atingindo os veteranos, mas sim atirando no próprio pé.


Se um dia tiver que pagar aluguel, condomínio e outros custos fixos e tentar vender mais caro para poder pagar as contas, não irá conseguir e certamente experimentará o gosto amargo do fracasso.

O que torna o corset um luxo é o valor agregado e o que torna um lixo é o preço mínimo e a qualidade baixíssima!!

Reflitam sobre tudo o que foi escrito!!

E qualquer dúvida só me chamar no WhatsApp 41 98821-0378.

Atenciosamente,
Deborah




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